LJ

Eu sei falar baixo, sei ser doce, mas o que impera é falar alto.

Eu sei disso. Temperamento explosivo não combina com voz calminha. 

Mas, até hoje eu BERREI duas vezes. 

Sabe, quando se fala alto ou se grita, as vezes se está agindo com o lado emocional, mas as vezes o lado que impera é o racional. Sendo assim, se tem algum controle sobre o que vai dizer, CLARO, tudo tem um limite, apartir de certo ponto fica impossivel responder pelos atos. 

Mas ao berrar, se está tomado totalmente pelo lado emocional.

E por berrar, eu me refiro aquele som que surge com força total e pega potencia além do diafragma, com sentimentos a cada palavra, e que preenchem os olhos de alguma cor. Ao berrar tremer é inevitavel, sentir uma dor de garganta e o pior, sentir um vazio no peito. 

Essas duas vezes que eu berrei, devo confessar que a primeira vez meus olhos foram preenchidos pela cor azul escuro. O azul porque eu tinha esperança de ser mais do que ouvida, entendida. E o escuro porque apesar de tudo eu tinha me sentido injustiçada. 

E a segunda vez, meus olhos foram preenchidos por vermelho, significado claro, eu acho.

E depois disso, eu cheguei a conclusão… As piores cores para influenciarem um berro são as escuras e o vermelho, porque o sentimento está dominando cada pedaço do seu corpo e a parte racional fica de lado. E infelizmente são as que dominão aquele berro que se está guardado no fundo do peito.

Após um tempo, vem o choro. Raiva ou frustração. Queria ter falado mais coisas, queria ter falado outras coisas, queria ter batido, queria ter corrido,queria não ter ouvido, queria não ter permitido falar, queria fazer um monte de coisa, mas a cor que preencheu não só os olhos, mas  todo o interior não permitiu que a razão pudesse ser acionada. 

Voltar no tempo é impossivel, retomar o assunto muitas vezes não é possivel, mas na maior parte não vale a pena. Muito desgaste para pouca coisa. Resta apenas imaginar o que poderia ter dito…

A imagem (não) representa 1.000 palavras

Eu passei a minha vida inteira (20 anos dela, pelo menos) ouvindo a famosa frase “uma imagem vale mais do que mil palavras”, eu até acreditava nessa frase, até que eu ouvi outra…
“A interpretação depende da bagagem de cada um” (e por bagagem eu me refiro a conhecimento, vivência…). 
Assim, essa frase me fez questionar a outra que acreditava cegamente.
Então, pensei no exemplo mais cretino do mundo. Mandar uma imagem de baile funk para alguém que cresceu na “favela” a pessoa (provavelmente) vai pensar “que daora, quando foi essa fita ae? Me chama para próxima”. Já um “coxinha” iria preferir a sua “bebida que pisca”.
Por mais que você conheça a pessoa, a interpretação é algo muito pessoal e inesperado. A pessoa pode estar em um dia ruim e imaginar o pior.
Logo, uma imagem até pode representar 1.000 palavras, desde que tenha mais 200 (ou menos, ou mais) para explica-la.